Um pouco mais sobre a Gestalt - terapia
- Mariana Lima
- 9 de abr.
- 3 min de leitura
Oi, que bom te ter aqui! Esse espaço será um lugar para trocas entre nós, espero que você leia, como se estivesse conversando comigo. Quero produzir trocas e construir coisas novas por aqui.
Para começar, queria compartilhar um pouco mais sobre essa coisa que tem transformado minha atuação enquanto psicóloga constantemente, que é a Gestalt-terapia. Além disso, estou ciente que a Gestalt terapia não é uma abordagem da psicologia mais comentada por aí, então achei importante trazê-la nessa estreia.
Como tudo se começa pela história, a Gestalt é uma abordagem que se funda com fortes influências da fenomenologia, filosofia e psicanálise. Frederick Perls (Fritz), principal figura quando pensamos na Gestalt terapia, ao lado de sua companheira Laura Perls são os principais fundadores da teoria da Gestalt.
Apesar de Laura não receber os devidos créditos pelas suas contribuições na Gestalt, eu faço questão de colocá-la por aqui. Laura foi companheira afetiva de Fritz por um longo período da sua vida, mãe de seus filhos e companheira de estudos e uma das fundadoras do Instituto de Gestalt - terapia de Nova York. Ela foi uma artista que atuou como Gestalt terapeuta até o fim de sua vida, trazendo contribuições fundamentais no trabalho clínico e na teorização da Gestalt.

Formados pela escola de psicanálise, foi em Nova York que o casal se encontrou com outros estudiosos que complementam e teorizaram a Gestalt. Conhecidos como clube dos sete, composta por Isadore From, Laura Perls, Paul Weisz, Sylvester Eastman, Elliot Shapiro, Friderick Perls, e Paul Goodman, elaboraram e fomentaram a Gestalt terapia enquanto teoria e abordagem clínica. Ralph Hefferline, integra ao grupo depois e se torna co-autor, ao lado de Fritz e Goodman de um dos livros mais importantes para os estudos da Gestalt - terapia. (referência no final do texto).
E o que talvez diferencie a Gestalt das demais orientações teóricas na psicologia, é sua visão holística do humano, ou seja, uma visão ampla de cada indivíduo, considerando os aspectos biopsicossociais e como cada pessoa se relaciona com o meio. Olhamos para o todo, e ao invés de buscarmos interpretações, buscamos a Awarenees, que em contexto terapêutico, nada mais é do que dar se conta do que se passa consigo.
Na prática clínica, uma das principais “características” da Gestalt, é o de ser uma abordagem anárquica. E entenda anárquica, no sentido de que a Gestalt não está em conformidade com regras e regulamentos, ao contrário, ela busca dar espaço e legitimação às infinitas possibilidades de ser, estar e agir no mundo. Logo, a psicoterapia é um espaço para que cada pessoa possa se mostrar como se é, longe das amarras do certo ou do errado.
Diante dos meus estudos e minha experiência na clínica, acredito que uma psicoterapia norteada pela Gestalt, consiste em um processo ancorado no acolhimento, no vínculo e na emancipação de cada consulente. Trabalhando no aqui-agora, olhando para a forma como o conteúdo se apresenta.
“Tentamos ver as coisas como são, não como deveriam ser” - Laura Perls

Com dedicação ao processo, cada pessoa com seu tempo, pode ampliar suas referências sobre si mesma. Elucidando aquilo que é difícil de entender, conhecendo suas possibilidades, para ter mais liberdade de existir.
Eu gosto muito de uma frase dita por Tássia Pinheiro, em aula no Quilombo Gestaltico, é que enquanto terapeutas, "nós ampliamos o palco para que o consulente possa dançar". Para que possa jogar seu corpo para o movimento, sentindo, descobrindo-se e explorando o novo, cada qual da sua forma. Percebo que meu trabalho é suportar um espaço onde cada consulente possa se apresentar como se é, trazendo para cada encontro, tudo aquilo que se é, foi e pode ser. E buscando a liberdade para ser, experimentar e criar.
Na conclusão desse breve passeio sobre o que é a Gestalt, busquei compartilhar de forma sucinta o que é a Gestalt e como eu a percebo como teoria norteadora do meu trabalho. Óbvio que a psicoterapia vai além de definições teóricas, mas é uma parte fundamental e vital do trabalho.
Referências
PERLS, Laura. Compromisso In: PERLS, Laura. Living at the Boundary.
Tradução Gabriela Gibson Cunha e Tássia Lobato Pinheiro. Gouldsboro: The Gestalt Journal Press, 1992. 221-226 p. Título original: Commitment
PERLS, Frederick; HEFFERLINE, Ralph; GOODMAN, Paul. 1951. Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 1997.


Comentários